quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Instrumental pronto, falta berrar!


Pois, é... Com a secção rítmica pronta, e a seguir a consultar o Miguel de D'alma Productions, decidimos partir para a guitarra e deixar o re-amping do baixo para o final. O som ficou bastante aceitavel para continuar a trabalhar e o melhor mesmo era partir para o que interessa e deixar os detalhes para o final.

Sendo assim, montei o "estaminé" em casa do Miguel e, após escolher os micros e fazer uns testes de som, começámos as gravações. O amplificador bem alto na outra sala fazia estremecer a estrutura das portas, sentiam-se os graves por todo o corredor até à sala onde nos encontrávamos, mas nada que interferisse directamente com o som a captar. Apenas a sensação de ter o volume mais alto que o normal (mesmo em palcos grandes) e a certeza de que é assim que se quer, é assim que deve ser. Entre alguns tiros de pressão de ar e muito tabaco, gravámos as guitarras em apenas dois dias, das onze da manhã às sete da tarde e deixámos os solos para a tarde do dia três. Tudo correu conforme o desejado, e diga-se de passagem que o mais chato foi mesmo desmontar tudo e levar novamente para a sala de ensaio. Carregar colunas e amplificadores escada abaixo não é o meu forte, mas faz parte do processo. Ficámos bastante satisfeitos com o resultado geral embora tenha ficado no ar a ideia de dobrar mais que uma vez as guitarras por uma questão estética. É um caso a estudar embora em parte nos pareça ridículo dada a intensidade da coisa...

Segue-se uma semana de ensaios para o Carlinhos treinar a voz, visto que há cerca de dois meses que não ensaiamos em prol das gravações. Em seguida começamos a gravar na nossa própria sala, de noite, após o jantar. É o horário mais adequado uma vez que a malta trabalha de dia. Lá terá o Miguel de montar todo o equipamento necessário novamente noutro lugar. Divertido isto, no mínimo...

O álbum está a ganhar forma, e a ansiedade de o terminar é cada vez maior. Estamos no bom caminho, sente-se isso nos olhares que fazemos cada vez que ouvimos as gravações.

As primeiras gravações de voz vão incidir sobre "Blockage" e "Sing Like You Were Dead" pois são os potenciais temas para videoclip e queremos dar uma mistura que sirva de guia aos produtores antes de acabar o resto do álbum.

Está quase... :)

quinta-feira, 13 de Agosto de 2009

Gravar tem mais que se lhe diga... \m/


Pois é... já passaram alguns meses desde o concerto em Portimão e diga-se de passagem que foi... BRUTAL! O pessoal de Guernica Havoc esteve lá ao lado do palco sempre a curtir e a apoiar a malta e o público curtiu especialmente as músicas antigas no fim do show, o que nos fez ficar a pensar que o registo audio das novas músicas é extremamente urgente... Mas estamos a tratar disso.

O Miguel já tinha gravado practicamente todo o baixo para o álbum, mas, ao ouvirmos a gravação em conjunto, achámos que havia partes que podiam ser melhoradas em termos de execução ou mesmo de arranjo e decidimos regravar tudo outra vez. Deu para rir e tudo mas foi a opção que tomámos e fomos em frente com ela.

Como tal, temos estado a gravar o baixo. Decidimos pedir emprestado ao Miguel de D'alma Productions o material necessário para podermos gravar na nossa sala de ensaio. Entre idas a festivais, férias e viagens temos gravado na nossa humilde sala e neste momento estamos a duas músicas do final. Os novos arranjos ficaram muito melhores e estamos contentes com o resultado na secção rítmica em geral.

Esperamos acabar o baixo ainda esta semana e partir para a guitarra assim que terminarmos algumas edições que serão necessárias para ligar bem a bateria com o baixo. Gravámos tudo em DI e falta ainda passar tudo pelo amplificador, a tão aguardada técnica de "re-amping". Nada que não se faça numa tarde...

quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Concertos... e mais concertos!


Mais um concerto à porta fez-nos adiar um pouco as gravações. O baixo já foi gravado e o próximo passo é ir ouvir tudo (pois não pude estar presente). É preciso "checkar" tudo antes de partir para a guitarra. Pelo que falei com o Miguel, foi um processo bastante rápido e relativamente fácil e mais uma vez foram captadas imagens para incluir no DVD. A coisa vai-se compondo.

Com o concerto no bar Bafo de Baco à perna, só nos restava elaborar um set e ensaia-lo. Foi o que fizemos. Nos ensaios já notávamos alguma diferença na maneira de tocar as músicas, sobretudo por parte do Amadis. O facto é depois de gravar a bateria muitos pormenores ficaram finalmente consolidados, proporcionando assim melhor precisão técnica.

Ensaios concluídos, seguio-se o concerto. Foi um concerto para amigos (como são quase todos aqui em baixo). Projectámos um video como introdução alusivo ao novo álbum cujo final foi acolhido com palmas. O ambiente foi daqueles que dá para ir bebendo cerveja no intervalo das músicas, enquanto o Carlinhos fala. Para além do habitual mosh nas músicas mais conhecidas, a reacção às músicas novas foi bastante boa e a crítica também. Por fim, vendemos algumas t-shirts, já com o novo design.

Temos a gravação de um ou dois videoclips à perna, resultado do interesse de alguns amigos que trabalham na área e que querem "usar" o grupo para o seu portefólio. Fixe!

De resto, vem aí mais um concerto, desta feita em Portimão. A seguir a este, decidimos parar com os concertos e dedicarmo-nos apenas às gravações. O facto é que os concertos provocam interrupções no processo de gravação e se continuamos assim... nunca mais temos álbum. É por uma boa causa!

quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Álbum novo, vida nova!



Acabadas as gravações de bateria, foi tempo de fazer um intervalo de 4 dias antes de passar para o baixo. Era urgente começar a reflectir sobre a imagem da banda e em especial o título para novo álbum. O facto é que enquanto uns gravavam, outros tratavam de encomendar um novo letring, novo merchandise e tema para o design do CD.

Return to Life Design foi a empresa escolhida para desempenhar tal tarefa. Uma ideia excelente, que resultou num trabalho rápido e eficiente. O visual de uma banda é muito importante e há quase 10 anos que MINDLOCK se escrevia da mesma maneira, com as mesmas letras, com mesmo logotipo. O facto é que nunca tivemos a capacidade de tratar da nossa própria imagem para além de algumas ideias que nos iam sendo mostradas por amigos ou levadas a cabo por nós próprios. O resultado foi sempre aquilo que se viu...

Assim, foi-nos apresentado um novo letring e ao olharmos para ele foi como se um peso nos tivesse saído dos ombros. Rapidamente recebemos os desenhos para as novas t-shirts e mais uma vez a opinião foi unânime: Tá altamente! Siga para o design do álbum, mas isso sabemos que vai ser mais trabalhoso.

O facto é que temos 2 concertos para breve, e há que começar já a espalhar a doença chamada merchandise. O novo letring já se faz acompanhar das novas t-sirts e chapéus mindlockers.

Tentar conciliar os ensaios com os concertos e as gravações é uma questão de ginástica em que todos estão dispostos a dar ao litro.

Baptizámos a música instrumental (que afinal deve ser acompanhada de texto/vozes faladas) de Fall of the Conspiracy. O nome explica tudo o que há para saber acerca da música.

O título para o álbum? Enemy of Silence.

segunda-feira, 20 de Abril de 2009

Se queres bem feito... faz tu próprio!


Depois de alguns telefonemas, ficámos resumidos a duas hipóteses: ou aguardávamos uns meses para ir para estúdio, uma vez que não havia vaga ou disponibilidade no momento, ou arrancávamos com a gravação do álbum, não nos moldes clássicos, mas de modo a que fosse possível ir adiantando trabalho. Se não podemos ir para estúdio, o estúdio vem a nós! E assim foi.

Felizmente tínhamos o contacto de alguém com experiência e disponibilidade que poderia transportar material para a nossa sala de ensaio e gravar lá a bateria. Era arriscado, mas não era impossível. Após uma breve reunião sobre acústica e novas tecnologias ligadas à música, decidimos montar lá as tralhas (colunas, microfones, tripés, computador, cabos, compressores, pre-amplificadores, equalizadores, e tudo o que acaba em "ores") e meter mãos à obra.

O Amadis e eu tínhamos 15 dias de férias da páscoa e 4 deles já tinham passado. Restavam 10 dias para gravar 10 músicas, contando com um dia para montar todo o hardware, mudar as peles da bateria, afiná-la e ver se tudo funciona. E funcionou.

Passámos 10 dias metidos na sala de ensaio, eu o Amadis e o Miguel de DALMA PRODUCTIONS (o responsável e supervisor das gravações) a tocar, gravar, editar e ouvir os takes de bateria, acompanhados apenas de uma guia de guitarra. Cada dia de trabalho eram no fundo 4 a 5 horas úteis, pois não é fácil tocar bateria (e ainda por cima aquelas músicas) durante tanto tempo seguido.

Para certas partes, foi necessária a ajuda do metrónomo. O Amadis jogava-se à frente apenas com um click nos ouvidos para sacar as batidas com melhor precisão. Incrível! Nem era preciso ouvir a guitarra nem nada! O trabalho de casa estava bem feito.
Dia-após-dia, os objectivos foram-se alcançando e ao fim dos 11 dias as músicas estavam gravadas.

Aproveitámos um dos dias para tirar imagens da gravação da bateria e fazer uma pequena entrevista do que se estava ali a passar. Mais tarde essas imagens (entre outras) irão fazer parte do DVD que acompanhará o álbum.

Com estúdio ou sem estúdio, o facto é que tudo soava bem! A bateria era um caso arrumado. Siga para o Baixo!

segunda-feira, 13 de Abril de 2009

Mete a energia no... álbum!


Guadiana Fest (Azinhal - Castro Verde); Rugby Rock Fest (Loulé); Mexiloeira Grande(Figueira)e Associação de Músicos (Faro)- 4 concertos que acenderam de novo a chama da banda (alguns com pirotecnia)e a vontade de partir o palco ao meio.

Com os concertos a banda voltou a ganhar rodagem e a perceber que só com muito trabalho é que se atinge o que se quer. A vontade de gravar foi-se intensificando ao longo das datas marcadas e decidimos melhorar a pre-produção para o álbum gravando na sala de ensaio com o material que tínhamos disponível: 3 microfones e um computador. A melhor maneira de fazer uma boa pre-produção é gravar, ouvir e alterar algo se necessário e depois dos concertos as ideias estavam mais claras acerca dos pormenores (ou falta deles) nas músicas. Decidimos também que "Endless Fall" não iria fazer parte do novo álbum. Depois de mexer e remexer nos arranjos chegámos à conclusão de que aquilo pura e simplesmente não soava. Às vezes é assim... não se fala mais nisso!

Ficámos bastante satisfeitos com a qualidade das gravações. Hoje em dia já se faz muita coisa... com pouca coisa. Decidimos então levantar um pouco do véu e publicámos uma das músicas no nosso myspace. "Beneath The Underground" não é o single do álbum e está longe de retratar o todo que o compõe, mas foi a primeira música que gravámos e a que perdemos mais tempo a "embelezar".

Depois de um trabalho um tanto ou quanto exaustivo de gravação, audição e reflexão de todas as músicas, toda a pre-produção estava concluída e mais 2 concertos se seguiram:
Moita Metal Fest (Moita) e Semana da Juventude(Pedra Mourinha - Portimão). Ambos foram brutais e só nos deixaram mais vontade de seguir em frente com a gravação dos novos temas e mais concertos para a nossa agenda.

Chegados a Faro, tínhamos o que precisávamos: Um sorriso na cara, algum dinheiro e disponibilidade para gravar a versão definitiva do álbum. Onde, quando e como era uma questão de fazer os telefonemas certos.

As noitadas a seguir aos concertos davam para fazer outro blog...

segunda-feira, 30 de Junho de 2008

Done!



"I am War" é a décima primeira e última das músicas feitas para este álbum. Acabámos de a arranjar na semana passada, no entanto, não houve muito tempo para escrever sobre ela devido a motivos profissionais...

"I am War" foi inteiramente escrita pelo Carlinhos. "NEVER SURRENDER" é apenas uma das frases do refrão, mas serve perfeitamente para dar a entender o tema da letra.
A música vai buscar um pouco da essência de "Ego Trip" sem deixar de mostrar o novo lado mais agressivo deste álbum.

Dia 2 de Agosto, no Guadiana Fest, será o primeiro concerto alusivo ao novo álbum (sem deixar lado material mais antigo). É bom rodar as músicas ao vivo antes de ir gravar. Temos também algumas datas a acertar lá para os lados de Lisboa e de certeza que concertos não vão faltar.

Quanto à gravação, precisamos destes concertos para juntar dinheiro suficiente para entrar em estúdio, uma vez que já temos uma ideia do orçamento. Vontade de tocar não falta, por isso, uma coisa ajuda a outra. Agora o que importa é sair da toca e tocar, pois, ao fim ao cabo, a digressão deste álbum começa já nos próximos concertos.

Em breve iremos para estúdio e estará disponível algum do material novo para audição em: WWW.MYSPACE.COM/MINDLOCKPT

Quanto ao título para o álbum e motivo para a capa... vamos pensando nisso!

terça-feira, 27 de Maio de 2008

Momento Zen


A 10ª música é um instrumental e foi a segunda música de um conjunto de três que surgiram quase em simultâneo. A vontade de acabar o álbum era cada vez mais forte e o fim já se fazia sentir bem perto.

Após ter concebido a música anterior, um ambiente melancólico e mórbido pairou sobre as escamas do bakalhau preto. Foi uma maneira de descomprimir da violência da música anterior, através de sequências de acordes confortáveis mas insólitos. Desta vez a música não sugeria voz pois a sequência de acordes era envolvente e falava por si.

A batida faz lembrar o primeiro instrumental que fizemos, que nunca chegámos a editar a não ser em cassete para ouvirmos no rádio do carro. Alguém há-de ter isso... ( já agora, o segundo instrumental que fizemos foi gravado no álbum Ego Trip e é uma faixa escondida no fim da última música. Está no minuto '13 da música "Demons" aka "Snomed").

Sendo assim, é o terceiro instrumental (na verdade o quarto)composto pelos Mindlock. Embora no EP Manifesto não se tenha incluído um instrumental, o facto é que existia um e chegámos a tocá-lo ao vivo ainda na década de 90. Haverá uma relação entre os trabalhos que gravámos e a concepção de músicas instrumentais? O facto é que a cada fase da banda, a cada álbum concebido está associada uma música instrumental. Não deixa de ser uma curiosidade interessante. Talvez um dia o primeiro instrumental fique disponível para todos ouvirem, mas primeiro, à que procurá-lo por entre as cassetes antigas...

A melodia vai beber um pouco aos ambientes utilizados pelos Opeth em algumas passagens melódicas, no entanto, é intercalada com um riff bastante pesado que se vai desenvolvendo ao longo da música... É algo que pensamos que possa vir a enriquecer o álbum e mesmo alguns espectáculos ao vivo.

O título... ainda não pensámos nisso (uma vez que não há letra). Talvez seja "O- Instrumental-Deste-Álbum" (que ainda não tem nome). Mas, com nome ou sem nome, o facto é que, juntamente com "Endless Fall", este vai ser o segundo momento e o mais zen do álbum.

P.S. - Durante a digresão do Ego Trip eu e o Miguel fizemos um instrumental e também o tocámos ao vivo. Esse tinha título dado por ele: "Beyond the Mountains of Kukuvanya" :) grande maluco!

sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Arma Secreta


Após algumas semanas a ensaiar e a reflectir sobre as músicas, já se falou em gravar, com quem, a que preço, enfim, andámos a sondar o mercado e a investigar possíveis métodos, pessoas e prazos para a gravação do novo álbum. O facto é que, durante as semanas que passaram, surgiram 3 novos temas, o que nos dá a entender que o material para o novo álbum está praticamente pronto. Já são onze músicas no total. Pensámos em gravar apenas dez, ou gravar as onze e escolher uma para não aparecer no álbum e servir de banda sonora a um futuro menu de DVD ou coisa do género. Enfim... o facto é que a inspiração também se começa a esgotar e o risco de nos tornarmos repetitivos começa a aumentar ao fim de algumas músicas. Creio que dez é o número ideal (antes de achar que era o nove), mas... a ver vamos.

Deixámos então a fase de composição de lado e começámos a falar dos planos para o futuro. Há que pensar no conceito de todo o álbum, da capa, das músicas, das letras, reflectir sobre o que fizemos e começar a ensaiar para tocar ao vivo. Sem dúvida que queremos dar concertos antes de ir para estúdio. Provavelmente, muitos dos arranjos irão mudar, muitas das partes irão ficar diferentes ou postas de lado, enfim, a melhor maneira de pre-produzir é mesmo "rodar" os temas ao vivo e perceber se há lacunas em relação à ideia que queremos passar. Uma coisa é a garagem, outra é o palco...

A nona música (e só vou falar desta por enquanto) é um desabafo, tanto literal como musicalmente. Digamos que é uma música podre, simplesmente a abrir, sem grandes rodeios, pelo que se distingue das outras. Esta é mesmo para o pataço e já consigo imaginá-la cheia de strobs e cervejas a voar. Uma vez que fala de uma força emergente que espera a hora certa de se revelar decidimos chama-la de "Secret Weapon". Mais tarde, por acharmos que era um nome pouco agressivo para retratar a brutalidade da música alterámos o título para "Unleash The Beast".

Pouco mais há para dizer acerca desta música. Foi feita em casa tal como as outras, num ímpeto de raiva e de vontade de sair da garagem. Desta vez nem gravei nada, tinha uma ou duas malhas fortes e siga de montar tudo num ou dois ensaios, pois em casa cheguei à conclusão de que, desta vez, nem vale a pena complicar muito. É a partir e pronto! A letra foi revista e baptizada pelo Carlinhos. Quanto à batida... é de ficar com o coração aos pulos pela caixa torácica. Mas tudo é exequível na maior das calmas quando trabalhamos com um autêntico maestro!

quinta-feira, 10 de Abril de 2008

Trabalho de equipa



Passámos várias semanas a ensaiar e a arranjar as sete músicas novas. Continuar a compor é importante mas às vezes é preciso parar e olhar para trás. Sempre que pegamos numa música que não tocávamos há algum tempo apercebemo-nos de partes que precisam de ser melhoradas ou de passagens que não estão muito bem definidas. Ás vezes não se pode andar para a frente sem arranjar o que está para trás, e foi isso que fizemos. Precisávamos de dar uma vista de olhos geral sobre o repertório e o facto é que mudámos algumas coisas (para melhor).

Já há alguns ensaios que o Amadis vinha sugerindo uma nova batida, mas acompanhá-lo era mentira. Não me ocorria mesmo nada. Estava bloqueado. Só pensava nas músicas que já tínhamos e no quão díficil era de não me repetir... Tudo o que me vinha à cabeça era familiar demais ou parecido com Pantera. Enfim... tinha bloqueado. Comecei a desesperar pois as ideias estavam a esgotar-se e a inspiração tinha-me abandonado. Tornara-me um verdadeiro mindlock, um mindblock ou tudo o que acabe em "ock" que seja impeditivo de criar algo novo.

Num belo ensaio, o Miguel entra todo contente dizendo que tinha duas malhas para mostrar e que poderiam ser o início de uma nova música. Curiosamente numa delas a batida que o Amadis vinha tocando no fim dos ensaios encaixava-se perfeitamente. Já estava! Era o mote perfeito para a nova música.
Em casa o instrumetal começou a ganhar forma junto ao computador. A ideia de ter que fazer uma música com aquelas malhas facilitava as coisas. Não tinha que começar tudo do zero e a primeira coisa que fiz foi gravar a batida do Amadis e acrescentar-lhe as malhas do Miguel. Ficou brutal. Acrescentar novas ideias foi quase instantâneo.

Numa tarde eu e o Amadis reunimo-nos ao computador e fizemos um brainstorming de ideias para acabar a música. Foi mais fácil que pensávamos. Um refrão bem pesado contrastava com as rapidez das outras malhas. O ritmo era binário mas tinha uma divisão ternária que permitia dar diferentes acentuações às mesmas partes. A meio da música o andamento mudava e os ambientes monocórdicos da guitarra pediam um solo à maneira marroquina. Era tudo meio confuso mas soava-nos bem.

Na sala de ensaio rapidamente corrigimos algumas passagens que mais se pareciam com colagens à papo-seco e demos uma estrutura mais fluida à música. O Carlinhos sugeria que o solo de guitarra fosse mais arrojado, o que me fez ter que agarrar no whammy e no floyd e começar a fazer o bicho guinchar.

Já só faltava a letra e mais uma vez, inspiração... nada! Escrever sobre o quê? Após algumas folhas deitadas ao lixo desisti. Apenas tinha o ritmo da voz gravado na cabeça mas precisava de palavras para o preencher. Bendito messenger. Certa noite o Carlinhos aparece no MSN bombardeando-me com frases soltas um tema vasto, profundo e bastante complicado para se escrever sobre ele: as bebedeiras.
É impossível escrever sobre bebedeiras sem nos rirmos mas infelizmente a ideia não era essa. Queríamos dar um tom mais pesado ao assunto em questão introduzindo uma visão mais decadente da coisa.

Depois de algumas trocas de pensamentos online e alguns ensaios "Alcohol Ecstasy" estava pronta. A banda sonora perfeita para o decadentismo alcoólico.